terça-feira, 16 de novembro de 2010

Tupinicagem de Opinião



A Endofobia, é uma rara manisfestação que se materializa no excluir o semelhante, em negar direitos iguais aos próprios compatriotas, mas é comum ao brasileiro no que diz respeito a produção cinematográfica nacional.
Não é raro conhecer uma pessoa que tem aquele discurso “Não gosto de filme nacional porque só tem violência, peito ou maconha”, ou a variação dos pseudo-cult nas vernissages e centros estudantis,“O cinema nacional passa uma idéia que não condiz com a realidade brasileira, em que tudo é favela, violência ou samba e futebol”.
O brasileiro tem uma séria tendência histórica de se preocupar demais com a visão externa que estão tendo de nós, e vamos encarar a verdade? Muito antes de existir “Cidade de Deus” no cinema, os franceses já torciam os narizes para nós. Precedendo a estréia de “Tropa de Elite”, europeus em geral nos tratavam como imigrantes em potencial e olhe lá.
É certo, que ninguém deseja o conformismo de aceitar os rótulos impostos. Mas é fato também, que o Brasil não deve esconder sua realidade. É só o que tem para se mostrar? Não é. Mas são os filmes que combinam tudo que move as indústrias cinematográficas de Bolly a Hollywood: Sexo, Violência e Frívolidades. Porque são temas que despertam o interesse humano. O que realmente incomoda, é que no Brasil até a ficção se apoia no real. Diferentemente da violência quase cômica de Quentin Tarantino e as frívolidades das paixões adolescentes norte americanas. Francamente, veja lá se existe alguma liga das Cheerleaders preocupadas em combater a imagem de moças de procedência duvidosa, inteligência quase nula e mau caráter que é passada na maioria dos filmes?
Desde 1994, com a indicação do filme “O quatrilho” para o Oscar. O cinema nacional começou a se reinventar sob o patamar da dupla dinâmica de qualquer produção cinematográfica de qualidade: técnica e estética. Aviso então, para os endofóbicos que ficam aí, apenas criticando o conteúdo dos filmes, que não é pela violência exploratória que essas películas se destacam em festivais, e sim pela qualidade que possuem.
O filme “Cidade de Deus” tem uma das fotografias mais elogiadas do cinema mundial, assim como o filme “O ano em que meus pais sairam de férias” vencedor do Urso de Prata do Festival de Berlim de 2008. E o tão criticado “Tropa de Elite” ? Ganhou o prêmio máximo neste mesmo festival, mas no ano de 2009, o Urso de Ouro. Em festivais desse porte, não tem comissão nenhuma veiculada a ONU premiando a tentativa dos países emergentes. Então endofóbicos, percebam de uma vez por todas, que o cinema nacional é digno, e como qualquer indústria nacional tem a liberdade de montar obras ficcionais,como é o caso de “Estômago”, reais como a biografia de “Chico Xavier”, ou referenciais, como é o caso de “Tropa de Elite 2”. Como já foi dito, é uma indústria como qualquer outra que precisa despertar o interesse humano.
Cinema, não é cartão de visitas. É um viés da cultura, é a sétima arte por isso não deve nada a ninguém, nem mesmo aos pseudo críticos que são tão ignorantes quanto seus comentários. Não sabem nem com o que são revoltados, o que incomoda não é o Cinema e sim a realidade brasileira.



por Laís Castro

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